Oito em cada dez trabalhadores têm esperança de conseguir um trabalho após a pandemia
09/07/2020

Entre o desemprego e a realização de bicos, a esperança de dias melhores

Oito em cada dez trabalhadores que recorrem às agências do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), órgão ligado à Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SEDET), revelaram que a situação do desemprego ou da realização de pequenos serviços (bicos) para sobrevivência não abalou a esperança. Já 12,2% dos entrevistados estão descrentes com relação ao futuro de sua trajetória profissional, após o período de isolamento social, numa proporção muito assemelhada ao contingente de desempregados no estado. A informação foi revelada pela pesquisa “Os trabalhadores e o Sistema Público de Emprego em meio à crise pandêmica no Ceará”, divulgada hoje (9/7) pelo o IDT.

O documento aponta que apenas um em cada cinco entrevistados estava trabalhando no período em que a pesquisa foi realizada (18,2%), entre os dias 8 e 22 de junho, e que a maioria destes trabalhadores já atuava nesse trabalho antes da pandemia (59,5%). Segundo o analista do mercado de trabalho do IDT, Erle Mesquita, “em meio à crise do emprego, que já era bem grave antes da COVID-19, e das medidas de isolamento social há de se reconhecer que muitos trabalhadores estão se virando em meio prestação de pequenos serviços, especialmente no contexto atual em que as novas tecnologias favorecem o mero pagamento por tarefas, como no caso dos serviços de entregas e corridas por meio de aplicativos”.

Diante desse cenário, a pesquisa identificou que sete em cada dez trabalhadores que haviam procurado as agências da instituição deram entrada no Auxílio Emergencial (71,4%), embora uma parcela considerável desses profissionais não tinha recebido nenhuma parcela do benefício até então. O analista do IDT salienta que as “motivações podem ter sido as mais diversas possíveis que podem ir desde a inobservância dos critérios exigidos até as possíveis inconsistências nas bases de dados governamentais, embora a pesquisa tenha revelado que 13,5% dos que não receberam o auxílio estavam associados ao recebimento do seguro-desemprego, o que vedado por lei”.

Afora o auxílio, a pesquisa identificou que 22,9% dos entrevistados mencionaram que receberam outras formas de ajuda nesse período de pandemia, entre elas, o seguro-desemprego, cestas básicas, a isenção das contas de água ou luz e dinheiro de amigos ou parentes.   

As dificuldades encontradas pelas famílias

Para 41,3% dos entrevistados, o próprio isolamento social foi apontado como maior dificuldade encontrada. O isolamento acaba tendo, no imaginário das pessoas, um sentimento híbrido, ou seja, se por um lado ele é a única e mais eficaz alternativa de evitar a proliferação do vírus e consequentemente arrefecer o quadro epidemiológico, por outro, ele inibe – exceto serviços essenciais – não apenas a mobilidade das pessoas, mas também o funcionamento das atividades produtivas. Outro ponto levantado pelos entrevistados diz respeito à falta de apoio dos governos (17,6%), seguida pela falta de alimentação (15,5%) e dificuldades no acesso aos serviços de saúde (9,7%).

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