PRINCIPAIS INDICADORES DO MERCADO DE TRABALHO DO CEARÁ NO 1º TRIMESTRE DE 2019

Por: Mardônio Costa
17/05/2019

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE sinalizou nova elevação da taxa de desemprego no País e no estado do Ceará nos três primeiros meses de 2019, a exemplo do que ocorrera em 14 dos 27 estados da federação, deixando evidente o seu comportamento sazonal característico de início de ano, quando usualmente cresce.

No mercado cearense, a taxa de desemprego cresceu de 10,1% (4º trimestre/2018) para 11,4% (1º trimestre/2019), embora tenha registrado queda diante dos 12,8% do 1º trimestre/2018. O estado de Ceará, detendo a segunda menor taxa de desemprego do Nordeste, conta com um total de 467 mil desempregados, dos quais 167 mil em busca de trabalho há mais de um ano, 35,7% dos desempregados, a mais elevada proporção para o 1º trimestre desde 2017 (37%).  

A elevação do desemprego no trimestre até março de 2019 repercutiu os incrementos observados nos recortes por sexo, idade e instrução. Houve expansão entre homens (10,1%, ou 231 mil) e mulheres (13%, ou 236 mil), entre os jovens de 18 a 24 anos (27,2%, ou 174 mil), por exemplo, ressaltando que a taxa de desemprego dos jovens cearenses (27,2%) se mostrou praticamente igual à taxa nacional (27,3%) e foi ampliada em 10 p.p. nos últimos cinco anos, posto que fora estimada em 17,2% em janeiro-março de 2014.

Na desagregação por nível de instrução, o desemprego aumentou em quatro dos sete níveis divulgados, especialmente entre aqueles com instrução de nível médio completo (15,8%, ou 221 mil) e fundamental completo (12%, ou 46 mil). Ocorreu crescimento robusto inclusive no nível superior completo, de 4,9% para 6,4% (38 mil), nos últimos dois trimestres citados.   

Para além dos indicadores de desemprego, o nível de subutilização da força de trabalho do estado (majoritariamente composta pelos desocupados, subocupados por insuficiência de horas trabalhadas e desalentados) alcançou a marca recorde de 31,9% da força de trabalho ampliada, bem acima da média nacional (25%), o que permite concluir que faltou trabalho para 1,5 milhão de trabalhadores cearenses nos primeiros três meses de ano. Nesse contexto, o número de desalentados também foi recorde, com 400 mil nessa condição, sendo que, no prazo de um ano, o Ceará ganhou 71 mil novos desalentados, com incremento de 21,5%.

O nível de informalidade do mercado laboral do estado se manteve em patamar elevado (55,1%), com 2 milhões de indivíduos trabalhando sem registro em carteira ou por conta própria, números similares aos do 1º trimestre/2018 (56,1%, ou 2 milhões de informais).  

Por fim, na passagem do último trimestre de 2018 para o primeiro de 2019, o rendimento médio real de todos os trabalhos mostrou relativa estabilidade, ao oscilar de R$ 1.530 para R$ 1.550, tal qual a massa de rendimento real habitual de todos os trabalhos, estimada em R$ 5,4 bilhões. Esses indicadores também se mostram relativamente estáveis no período de um ano, ilustrando que o nível salarial do estado não evoluiu favoravelmente no período. 

Esses números revelam a preocupante realidade do mercado de trabalho estadual, com elevadas taxas de desemprego e recordes de subutilização, desalento e informalidade, onde o modesto ritmo da atividade econômica e a deterioração das expectativas de crescimento da economia nacional, associados ao crescente nível de incerteza e desconfiança dos agentes econômicos, que se refletem nos baixos níveis de investimento e consumo, retardam ainda mais a reversão de tendência desses indicadores, contexto em que as políticas públicas do trabalho se mostram imprescindíveis para amenizar as tensões sociais oriundas da falta de trabalho e renda.

*Por Mardônio Costa
Analista do Mercado de Trabalho do IDT