DESEMPREGO NO CEARÁ NO 3º TRIMESTRE DE 2019: ALGUMAS EVIDÊNCIAS

Por: Por Mardônio Costa
28/11/2019

Recentemente, o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE) divulgou dados sobre o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) cearense no segundo trimestre de 2019. Os dados revelam que a economia volta a crescer, embora em ritmo moderado, com variações positivas do PIB, por quatro trimestres consecutivos, desde o terceiro trimestre de 2018, comparativamente ao mesmo período do ano anterior. 

Além disso, os números mostram aceleração do crescimento econômico estadual no trimestre até junho desse ano (2,08%), uma vez que, no trimestre anterior (0,53%) o ritmo da atividade econômica fora bem mais lento, e a estimativa mais recente de crescimento do PIB do estado para 2019 é de 1,34%, acima da previsão nacional (1,0%).  

Diante dessa conjuntura de lenta retomada da economia estadual, as estatísticas do mercado de trabalho do estado revelam relativa estabilidade dos principais indicadores, na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2019, reflexo de variações estatisticamente não significativas, tal qual ocorrera na esfera nacional, posto que 25 das 27 unidades da federação apresentaram desocupação estável no período.

No que concerne à taxa de desemprego/desocupação estadual, por exemplo, o quadro é de relativa estabilidade em relação ao trimestre imediatamente anterior, oportunidade em que deveria declinar especialmente por motivos sazonais, e de elevação diante do mesmo trimestre do ano passado. Ela oscilou de 10,9% (2º trimestre) para 11,3% (3º trimestre), taxa um pouco mais elevada que a do 3º trimestre de 2018 (10,6%), segundo a PNADC do IBGE, que estima um total de 467 mil desempregados no Ceará, no trimestre até setembro de 2019, contra 436 mil em idêntico período de 2018, revelando que o mercado de trabalho local adicionou 31 mil novos desempregados no período de um ano. 

Ademais, a taxa de desemprego cearense usualmente é inferior à média da região Nordeste, em que se destacam Pernambuco e Bahia, e mais próxima da média do País. No trimestre em análise, as taxas para o País e Região Nordeste foram de 11,8% e 14,4%, respectivamente, e o Ceará deteve a 14ª menor taxa dentre os estados nacionais, muito inferior à de Pernambuco (15,8%) e Bahia (16,8%). 



Para além da resiliência atual da taxa de desemprego, que oscila na casa dos 11%, é preocupante a ampliação do desemprego de longa duração. Antes da crise de 2015/2016, precisamente no 3º trimestre de 2014, no estado do Ceará, a proporção de desempregados com tempo de procura de trabalho de um ano ou mais fora de 33,3%, o correspondente a 84 mil desempregados, já no 3º trimestre de 2019, cinco anos depois, duplica o total de desempregados nessa condição (170 mil), atingindo uma fração ainda maior dos desempregados do estado (36,4%).   

Na verdade, a realidade do desemprego de longa duração no Ceará voltou a se agravar desde o 3º trimestre de 2018, com proporções oscilando entre 35% e 40% dos desempregados do estado. Mesma realidade fora observada no Brasil, com oscilações entre 39% e 41%, o que revela a problemática do desemprego de longo prazo no País e no Ceará.   

Entre os jovens de 18 a 24 anos, segmento mais penalizado pelo desemprego, a respectiva taxa basicamente não variou entre o 2º e 3º trimestres do corrente ano, ao oscilar de 25,7% para 25,8%, respectivamente, embora superior à taxa do 3º trimestre de 2018 (23,9%), com 162 mil jovens desempregados, respondendo por 34,7% do contingente de desempregados do Ceará. Atualmente, ¼ da força de trabalho do estado de 18 a 24 anos encontra-se desempregada e em um patamar 2,3 vezes mais elevado que a média estadual.

Na desagregação por sexo e na comparação trimestre/trimestre anterior, a relativa estabilidade do desemprego no Ceará repercutiu os movimentos diferenciados das taxas masculina e feminina. Entre os homens houve expansão de 9,2% para 10,3% e, entre as mulheres, relativa estabilidade, oscilando de 13,0% para 12,6%, respectivamente. O oposto ocorre ao se alterar a base de comparação para o mesmo trimestre de 2018, em que foram registradas relativa estabilidade da taxa masculina, nas proporções de 10,0% e 10,3%, e incremento da feminina, de 11,5% para 12,6%. A PNADC estima um total de 238 mil homens e 230 mil mulheres desempregados no estado no 3º trimestre de 2019.

Por fim, números da PNADC indicam que, considerando os desempregados (467 mil), os subutilizados por insuficiência de horas trabalhadas (416 mil) e aquelas na força de trabalho potencial (530 mil), onde estão inclusos 364 mil desalentados, a economia cearense necessita gerar 1,4 milhão de postos de trabalho, o correspondente a uma taxa de subutilização de 30,2% da força de trabalho ampliada, de acordo com a fonte supracitada.