Desemprego de longa duração no Ceará – uma preocupação para além do desemprego

Por: Mardônio Costa
03/01/2020

Nos anos de 2017, 2018 e 2019, anos de lenta e gradual retomada da atividade econômica, houve uma melhora também lenta e gradual de alguns indicadores do mercado de trabalho, em especial o de desocupação, ainda que permaneça com dois dígitos, exibindo taxas elevadas de, no mínimo, 10% da força de trabalho. No Ceará, ao contrário do ocorrido no biênio 2015/2016, quando a forte recessão econômica favoreceu a elevação da desocupação no País, as taxas de desocupação apresentaram tendência de queda, notadamente em 2017 e 2018, com diminuição de aproximadamente três pontos percentuais entre o início e o fim do ano, dado que elas variaram no intervalo de 11,1% a 14,2%, em 2017, e de 10,1% e 12,8%, em 2018. 

De fato, a trajetória delineada pela taxa de desocupação nesse triênio é notoriamente oposta à observada no triênio anterior, com um patamar de desocupação cada vez menor, dada a ocorrência de taxas decrescentes entre e ao longo dos anos, movimento este que parece ter sido interrompido em 2019. No Ceará, a taxa de desocupação apresentou recuo moderado no segundo trimestre de 2019 (10,9%) e ligeira alta no terceiro trimestre (11,3%). 

Após dois anos de taxas decrescentes, essa evolução está a ilustrar a resiliência da desocupação no corrente ano, que apresenta um quadro de relativa estabilidade e continua a penalizar 11,0% da força de trabalho estadual, alterando a tendência de redução do indicador verificada nos dois anos anteriores. Reforçando essa argumentação, foram estimados 467 mil cearenses de 14 anos ou mais de idade desocupados no terceiro trimestre de 2019, a mesma estimativa do primeiro trimestre, correspondendo às respectivas taxas de desocupação de 11,3% e 11,4%, ou seja, a realidade da desocupação no estado do Ceará não foi alterada até setembro desse ano.  

Diante dessa conjuntura, o Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT) elaborou o estudo intitulado “Desemprego de longa duração no Ceará – uma preocupação para além da desocupação” para melhor entender esse comportamento da desocupação e trazer essa discussão para a sociedade, chegando à conclusão de que essa resiliência da desocupação no mercado de trabalho cearense, a exemplo do que ocorrera na esfera nacional, foi alimentada notoriamente pela desocupação de longa duração que se apresenta cada vez mais relevante na composição da desocupação.

Para analisar a realidade do prolongamento da condição de desocupação, o estudo considerou três classificações distintas: 1. desocupação de curta duração, que inclui os desocupados com tempo de procura de trabalho inferior a um ano;  2. desocupação de média duração, que compreende os trabalhadores sem ocupação e com tempo de procura de um a menos de dois anos, e; 3. desocupação de longa duração, arrolando os desocupados em busca de trabalho por dois anos ou mais.

Na constituição da base de dados do estudo em questão, foram consideradas as distribuições percentuais trimestrais dos desocupados segundo o tempo de procura de trabalho disponibilizadas pelo Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA), geradas a partir dos dados da PNADC trimestral, tomando para análise toda a série histórica da pesquisa.

Nessas condições, o estudo revelou que, no estado do Ceará, a participação dos desocupados de longa duração atingira proporções recordes no primeiro (29,3%) e no segundo trimestre (25,5%) de 2019, totalizando 119 mil desocupados à procura de trabalho, e disponível para tal, por, no mínino, dois anos, o que pode, em boa medida, explicar a resiliência atual da desocupação estadual.  

Além da referida constatação, o estudo apresenta diversas consequências da desocupação de longa duração para o trabalhador e alguns desafios para as políticas públicas do trabalho, por contribuírem para a manutenção das elevadas taxas de desocupação, uma vez que, quanto mais prolongado for o tempo de desocupação, mais difícil é a obtenção de uma vaga no mercado de trabalho. 

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